Ainda Cabe Mais Mundo
Espetáculo ato-poesia
ESPETÁCULOS
10/31/202617 min ler
Criar é não se adequar à vida como ela é,
Nem tampouco se grudar às lembranças pretéritas
Que não sobrenadam mais.
Nem ancorar à beira-cais estagnado,
Nem malhar a batida bigorna à beira-mágoa.
Nascer não é antes, não é fi car a ver navios,
Nascer é depois , é nadar após se afundar e se afogar.
Braçadas e mais braçadas até perder o fôlego.
Bombear gás do tanque de reserva localizado em algum ponto
Do corpo
E não parar de nadar,
Nem que se morra na praia antes de alcançar o mar.
(...)
Parir, desvelar, desocultar novos horizontes .
Mamar o leite primevo, o colostro, da Via Láctea.
E, mormente, remar contra a maré numa canoa furada
Somente para martelar um padrão estoico-tresloucado
De desaceitar o naufrágio.
Criar é se desacostumar do fado fi xo
E ser arbitrário.
Sendo os remos imateriais.
Sargaços - Waly Salomão

release
AINDA CABE MAIS MUNDO é uma celebração da vida e da obra de um dos poetas mais inquietos da cultura brasileira: Waly Salomão. A Santa Companhia, que neste ano de 2026, completa 12 anos de trajetória, agora se debruça sobre o poeta numa montagem que se ancora na trajetória de vida e na construção poética de Waly, enredando sua escrita à sua maneira única e provocativa de existir e performar no mundo.
Como propõe seu emblemático escrito “a memória é uma ilha de edição” a construção da peça vai recortando tempos, imagens, entrevistas e acontecimentos na vida de Waly Salomão. Dentre elas: a infância do poeta em Jequié, no interior da Bahia; sua prisão no Carandiru durante a ditadura civil e militar, em São Paulo; sua atuação na vida cultural e política do país, como, por exemplo, a criação do projeto Fome de Livro. Essa iniciativa imaginada por Waly foi criada durante sua permanência na “Secretaria do Livro”, no Ministério da Cultura, em 2003, para incentivar a leitura como maneira de emancipação social.
AINDA CABE MAIS MUNDO pretende abrir espaço para que a voz do Waly se amplie em nós. Para que seus poemas, suas ideias, sua alegria como manifestação política e, principalmente sua defesa apaixonada da poesia e da leitura como direitos fundamentais ecoe em nós e, quem sabe, nos provoque outras possibilidades de existir e de chacoalhar nosso imaginário diante do mundo.

o processo
“A memória é uma ilha de edição.” — Waly Salomão
Conta-se que Thot, deus egípcio da linguagem e da sabedoria, apresentou a Rá sua invenção: a escrita. O deus Sol desconfiou. Disse que aquilo seria, ao mesmo tempo, veneno e remédio: ao registrar o que lembramos, a escrita poderia nos afastar da memória do corpo, mas também criar um lugar onde aquilo que vivemos pudesse permanecer, ser revisitado, recortado e rearranjado. Veneno-remédio! É nessa contradição que adentramos a ilha da memória para localizar os rastros de criação de Ainda Cabe Mais Mundo: quando começou nossa relação com Waly Salomão? Em que momento o poeta eclodiu na trajetória da Santa Companhia?
De primeira, poderíamos dizer que há três anos. Mas, ao percorrer o fio poético que conecta a história do poeta à nossa, percebemos que essa relação vem de muito antes. Talvez tenha começado em 1943, quando Waly nasceu. Ou, quem sabe, em 2016, quando aprofundávamos nossos estudos sobre a Antropofagia e Rafael Abrahão encontrou Poesia Total, reunião da obra poética de Waly publicada pela Companhia das Letras.
Revela!
Em 2018, durante a criação de Cora Primavera, nosso primeiro rito-manifesto, os versos de Waly começaram a entrar na boca, no corpo, no imaginário e na ação da Companhia por meio da voz do coro:
“você dispensa o fulgor
que a nossa estrela desprende
você despreza
você não sabe amar (...)
convoque todo o batalhão
do corpo de bombeiro
para apagar a chama
do coração fogoso
de quem ama”
(Coração Fogoso, Waly Salomão)
Corta!
Durante a hecatombe da Covid-19, adentramos o mar transmídia da criação e inventamos o podcast bemdita!, com debates, entrevistas, leituras vivas e pílulas poéticas. Nesta última modalidade, elegíamos mensalmente um poeta para homenagear por meio de uma faixa sonora que cruzava suas poesias. Em 2021, dedicamos uma dessas criações a Waly Salomão: um eco lançado ao rio, uma pedra que produzia ondas em direção a um futuro cujo destino ainda desconhecíamos.
Recorta!
Em 2023, realizamos Karabaré: Poesia Enamorada, nosso segundo rito-manifesto. Embora o espetáculo não tivesse relação direta com Waly, era inteiramente atravessado pela poesia. Naquele mesmo ano, Rafael Abrahão e Mada Rocco foram assistir a um espetáculo em homenagem a Ana Cristina Cesar. Ao fim da apresentação, Rafael compartilhou com sua parceira de criação o desejo de realizar uma nova obra em que pudesse atuar, em vez de dirigir, partindo da vida e da obra de um poeta que já habitasse o imaginário da Santa, mas cuja trajetória ainda pudesse revelar um novo território de possibilidades. No horizonte estavam Jorge Mautner e Waly Salomão.
Mada, sem saber e, ao mesmo tempo, sabendo, como a estrela-flecha-criadora que é, lançou a pergunta: “Vamos fazer sobre Waly Salomão?”. O eco ecoou. Rafael topou.
* NOTA: Há coisas na vida que só precisam de um sim. Daí em diante, é impulso radiônico e atração eletromagnética.
Inicialmente, imaginávamos uma noite de poesia na LopLop, livraria da Zona Oeste de São Paulo especializada em livros de arte, poesia e surrealismo. Conversando com Alex Januário, seu proprietário, surgiu a possibilidade de criar algo maior: um espetáculo inteiro dedicado a Waly, talvez a partir de Me Segura que Eu Vou Dar Um Troço, seu primeiro livro, publicado em 1972. A ideia nos arrebatou.
Sintoniza!
Em 3 de setembro de 2023, aniversário de oitenta anos do poeta, estabelecemos nosso marco zero — ou não — para os estudos aprofundados de Poesia Total. Rafael e Mada passaram noites debruçados sobre aquele universo: poesia, prosa, ensaios, entrevistas, artigos, recortes, perfumes, sons, sabores, ruínas e tesouros. Um garimpo sem fim.
Escolhe!
À medida que as poesias tocavam nossa sensibilidade, fomos cartografando as paisagens de Waly. Havia o sertão e a zona da mata de Jequié; as cidades de São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro; a Lua, o Sol, o Mar e a Mata; a fé, o chão, o eu e os outros de si. Sua poesia atravessava territórios geográficos, afetivos e imaginários, recusando qualquer mapa definitivo.
Imprime e monta!
Organizamos as descobertas em um grande pergaminho, buscando reconhecer as paisagens e sensações que poderiam orientar a criação. Ao fim daquele ano, durante o intervalo entre dezembro e janeiro, a devoração se estendeu aos que compartilhavam o sangue e a história do poeta: Jorge Salomão, seu irmão, e Omar Salomão, seu filho.
Foi no litoral norte de São Paulo, entre praias, rios e encontros inesperados, que se abriu um novo caminho. Durante uma leitura de Omar, Rafael conheceu Thiago Nassif, guitarrista e compositor que já conhecia a poesia de Waly e tinha proximidade com sua família. Aquele encontro conectou a Companhia a Marta Braga, Omar e Khalid Salomão, que nos receberam com imensa generosidade e abençoaram a realização da obra.
É nessas horas que percebemos que a criação está em movimento, que as coisas se encaixam sem que seja necessário compreender inteiramente o percurso. Surfar a onda, em vez de tentar controlar o movimento da natureza: vivê-lo.
Colore!
Em 2024, ano em que a Santa Companhia completou uma década, percebemos que precisaríamos de mais mãos para tecer a dramaturgia. Amábile Bianca e Ade Branco se juntaram ao processo. Em 5 de maio, aniversário de eternidade do poeta, concluímos a primeira versão do texto, intitulada O Marujeiro da Lua. Era uma peça extensa, inteiramente em poesia, com uma estrutura bastante diferente daquela que viria a se tornar Ainda Cabe Mais Mundo.
Enviamos o projeto a editais, sem conseguir viabilizá-lo por esse caminho. Paralelamente, Rodrigo Zanettini, diretor musical da Companhia, e Thiago Nassif começaram a musicar o texto. Ao fim daquele ano, ainda sem os recursos necessários para a montagem, sentíamos a urgência de celebrar nossa história e apontar caminhos para o futuro. Assim nasceu Coração Marginal: Uma Década de Paixão, apresentação que reuniu músicas e momentos da trajetória da Santa, tendo Waly como protagonista de uma ação que começava a ocupar o centro de nosso imaginário.
Convidamos Karen Menatti, atriz da Companhia do Tijolo e parceira de conversas e encontros de Rafael, para assistir à apresentação. Ao fim da noite, propusemos que ela nos dirigisse. Como boa sagitariana entusiasmada que é, Karen disse sim. A princípio, ela dirigiria o show em homenagem a Waly, enquanto outras pessoas conduziriam a montagem de O Marujeiro da Lua. Mas as águas foram rolando, os caminhos se cruzaram e tudo se tornou um só amálgama.
Em março de 2025, iniciamos os ensaios com Karen, ainda sem recursos financeiros, mas com o fogo criador aceso. “Vamos começar, precisamos começar”, disse a diretora. A partir das dramaturgias existentes, passamos a experimentar, burilar e descobrir os caminhos de uma criação que se transformava em Coração Marginal: O Marujeiro da Lua, um acontecimento cênico-musical inteiramente dedicado à vida e à obra de Waly.
No Studio do Kaus, persistimos. Em julho, a parceria com a Arqmate nos permitiu avançar e realizar ensaios abertos em setembro, na Próxima Companhia. Nos dias 10 e 11, compartilhamos a criação com convidados e abrimos mais uma fresta para o encontro com o público.
Depois, veio um intervalo. Um entreato de conversas preciosas com pessoas que conheceram Waly de perto: Carlos Nader, cineasta e realizador de Pan-Cinema Permanente; Júnior, parceiro do poeta na fundação do AfroReggae; e Omar Salomão, que nos revelou outras dimensões de Waly, não apenas como poeta, mas também como pai, filho, tio e amigo. Eram novas peças para esse mosaico vivo, que nunca se encerraria em uma única versão.
Mergulha! Emerge!
Chegamos a 2026 com a necessidade de transformar o espetáculo-show em uma obra teatral. Era preciso ampliar o elenco, refazer a dramaturgia e encontrar uma estrutura capaz de acolher todas as camadas que havíamos acumulado. Roma Oliveira chegou ao processo trazendo suas próprias ressonâncias com o poeta — naquele mesmo ano, havia interpretado Waly Salomão no musical sobre Gal Costa.
Retomamos os ensaios no Centro Cultural da Diversidade e, mais uma vez, contamos com a parceria da Arqmate. Embora muitos elementos já existissem, tudo precisava ser redescoberto. A dramaturgia passou por uma nova transformação, e o título também entrou no turbilhão de possibilidades.
Queríamos estrear em julho, mas os planos precisaram mudar. No fim de maio e início de junho, atravessamos duas perdas imensas: Ade Branco, nossa conselheira, atuadora, poeta e oracular, e Renato Ihu, mestre dos tambores, partiram para a eternidade. Duas presenças fundamentais na história e na criação da Santa Companhia, cuja ausência sentimos profundamente. Esta temporada é também uma homenagem a eles. Salve, Madame! Salve, Renatinho!
Reorganizamos o tempo, as agendas e as perspectivas. Definimos setembro como horizonte de estreia e o º Andar como espaço de apresentação. Roma precisou se ausentar do processo, e novamente nos vimos diante da tarefa de encontrar um novo Poeta-Operário para dar corpo a Waly Sailormoon.
Então, em um desses encontros que parecem precipitar o raio, Chrystian Roque se achegou ao espaço.
E AINDA CABE MAIS MUNDO!
Chrystian chegou quando faltavam treze semanas para a estreia. A dramaturgia tinha seis capítulos, dos quais trabalhávamos o terceiro, enquanto revisitávamos continuamente os anteriores. Seu primeiro ensaio conosco aconteceu em 24 de junho. Assim como Roma, Chrystian trazia ressonâncias singulares com o poeta: compartilhava com Waly a ancestralidade baianárabe e já carregava sua poesia consigo.
Com elã e mel, sua chegada catalisou o processo. Em 14 de agosto, concluímos aquela que se tornou a quarta grande versão da dramaturgia — um texto que permanece aberto à transformação, vivo e metamorfoseante, como o próprio poeta.
Ainda Cabe Mais Mundo foi tecido a muitas mãos, em devoração coletiva de Waly e de todos os que, direta ou indiretamente, alimentaram nossa pesquisa. Mada Rocco, Rafael Abrahão, Karen Menatti, Chrystian Roque, Roma Oliveira, Ade Branco e Amábile Bianca, junto a Rodrigo Zanettini e a tantas outras pessoas, participaram de diferentes momentos dessa construção. Nessa trama, encontramos também Omar Salomão, Carlos Nader, Júnior, Jards Macalé, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Alejandro Jodorowsky, Oswald de Andrade, Adriana Calcanhotto e tantos outros universos que atravessam nossa criação.
Exporta!
Enquanto escrevemos estas linhas, o coletivo adentra a zona intensa do pré-parto. Falta pouco para a estreia, e ainda há muito a fazer. Talvez seja hora de nos afastarmos um pouco desta ilha da memória e mergulharmos no presente. Para continuar editando, é preciso algum distanciamento: olhar de longe para aquilo que vivemos, reconhecer os rastros, os desvios, os acasos e as relações que fazem do teatro a arte do encontro.
Mas talvez essa ilha exista justamente para que possamos voltar ao mar. Foi preciso demandar o impossível sem perder de vista os caminhos possíveis que nos trouxeram até aqui. Foi preciso repetir, cortar, recortar, remontar, mudar a rota e recomeçar. E, em meio a tudo isso, Waly foi se revelando cada vez menos como um poeta a ser explicado e cada vez mais como uma força a ser vivenciada.
Renderiza!
Waly é turbilhão, metamorfose, movimento, constante mutação de si mesmo e de todas as partículas ao seu redor. Durante os 59 anos em que viveu nesta terra, criou por todos os meios que encontrou: poesia, teatro, música, artes plásticas, performance, audiovisual, ação social e política. Recusou fronteiras e rótulos, expandindo continuamente os limites de sua própria criação.
Adjetivar Waly é desnecessário: nenhuma definição dá conta do poeta. Waly escapa, dribla, transborda. E continua nos convocando a imaginar novas possibilidades de mundo, para além das fronteiras. Porque, no fim das contas, IMAGINAR É PODER.












sinopse
AINDA CABE MAIS MUNDO é uma celebração dedicada à vida, à obra e ao pensamento de Waly Salomão. A partir de uma dramaturgia original construída em diálogo com uma ampla pesquisa dos poemas, canções, entrevistas e escritos do poeta, o espetáculo cria uma experiência cênica em que memória, música, teatro e imaginação se entrelaçam.
Em cena, três Poetas-Operários - como o próprio Waly por vezes se auto intitulou - conduzem a experiência, compartilhando com o público fragmentos da trajetória de Waly: da infância em Jequié à prisão durante a ditadura militar, das parcerias com grandes nomes da música brasileira à defesa apaixonada da poesia e da leitura como direitos fundamentais.
O espetáculo constrói uma travessia inspirada na poética de Waly Salomão: uma escrita em permanente estado de invenção, que dissolve fronteiras entre poesia e vida, palco e mundo, memória e presente. Além de celebrar o artista, AINDA CABE MAIS MUNDO convida o público a experimentar a imaginação como força criadora, reafirmando a poesia como espaço de encontro e transformação coletiva.
Duração: 110 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
histórico
º Andar
Temporada de estreia na Sala Black Box
terças y quartas, de 29 de setembro à 28 de outubro de 2026
Ficha Técnica
Direção: Karen Menatti
Dramaturgia: Santa Companhia
Elenco: Chrystian Roque, Mada Rocco e Rafael Abrahão
Direção Musical: Rodrigo Zanettini
Músicos / Banda: Amanda Teles, Rodrigo Zanettini, Vinícius Politano
Compositores parceiros: Thiago Nassif e Ade Branco
Sonoplastia Cidade: Aworonké Lima
Preparação Vocal: Luíza Abe
Produção: Ana Zumas e Nina Lelou
Design de Luz e Operação: Gabriel Haenni
Desenho de Som: Hugo Bispo
Cenário: Douglas Vendramin
Figurino: Paloma Xavier
Bazucas Poéticas: Coletivo Transverso
Confecção das bazucas: José Eduardo Faria, Nina Lelou e Rafael Abrahão
Gestor de tráfego pago: Lucas Flecha
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Fotografia: Esther Torres
Vídeo: Newman Costa
Design de divulgação: Murilo Thaveira
Realização: Santa Companhia
Parceria: Arqmate
Apoio: Tem Que Ter Festa, Centro Cultural da Diversidade, Studio Kaus e O Andar
Agradecimentos especiais: Pati Paul, Priscila Abrahão, José Eduardo Faria, ºAndar, Roma Oliveira, Marta Braga, Omar Salomão, Khalid Salomão, Carlos Nader, José Junior - AfroReggae, Amábile Bianca, Jamille Fortunato, Thiago Nassif, Simone Chemmés.
Agradecimentos: Companhia do Tijolo, Próxima Companhia, Vitor Tomitsuka, Lucas Tancsik, Alexandre Dall’Agnol, Alejandra Branco, Roberto Oliveira, Alexandre Loureiro - Macalé, Gal Gruman, Roni Munk, Adriana Levisky.


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Ainda Cabe Mais Mundo | Rádio Bandeirantes
Karen Menatti, Mada Rocco e Rafael Abrahão são entrevistados sobre o espetáculo AINDA CABE MAIS MUNDO na Rádio Bandeirantes

entrevistas
Em Santa Companhia








Amanda Teles
instrumentista
Douglas Vendramin
cenógrafo
Chrystian Roque
ator
Ana Zumas
produtora




Karen Menatti
diretora
Gabriel Haenni
iluminador


Hugo Bispo
técnico de som


Luíza Abe
preparadora vocal


Paloma Xavier
figurinista
Nina Lelou
produtora




Mada Rocco
atriz


Rafael Abrahão
ator
Vinícius Politano
instrumentista




Rodrigo Zanettini
diretor musical e instrumentista


